sábado, 29 de agosto de 2009

VIAGEM - Vanessa da Mata

Suspenderam a viagem
Fui parar em outro trem
Que beleza de paisagem
Fomos rumo a Belém

Agora que é tempo
Colher fruta madura no vento
Pequi não sai do meu pensamento
Bacia cheia de manga bourbon

Nasce um sol, nasce uma noite
E um menino também vem
Que beleza de paisagem
É meu filho e passa bem

Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar

Volto quem sabe um dia
Porque os trilhos já tiraram do chão
Olho as tardes, vivo a vida
Nada é em vão

sábado, 15 de agosto de 2009

Depois de uma pausa, estou de volta...

ERA
Ana Carolina

O destino me pregando uma outra peça, eu não queria
Me cercava toda noite, com sua flecha e sua guia
Era o tempo me encostando sua pele traiçoeira
Eram noites tão pesadas, com nuvens sorrateiras
Era a vida me cortando a carne com seu guizo
Ecoando pelos séculos os sons de alguns gemidos
Eram meus antepassados dentro dos bacanais
Era o tempo me emprestando aquilo que eu não devolveria mais
Era um homem nos meus sonhos me currando sem perdão
Eram duas velhas mortas se arrastando pelo chão
Eu soltava os meus cães em meu peito a soluçar
Abafava os meus gritos, pois não sabia ladrar
Achei que não era eu que fazia minha história andar
Punha a culpa no destino ou em quem estivesse à mão para culpar
E era assim

Hoje em dia não me importo com o que fiz no meu passado
Quero amigos, sorte e muita gente boa do meu lado
E não rebato se disserem por aí que eu tô errado
Porque quem se debate está sozinho ou afogado
Eu, que não fico no meio, não começo e nem acabo
Eu sou filho do amor, não de Deus, nem do diabo
Na ciranda das canções eu me ponho a revezar
Rodando entre as ondas que me puxam em alto-mar
Hoje sei bem que sou eu que giro a minha vida circular
Essa roda, eu que invento e faço tudo nela se encaixar
Eu sou assim

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quinta-feira, 18 de junho de 2009

VOLVER

Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus pálidos reflejos
hondas horas de dolor

Y aunque no quise el regreso
siempre se vuelve al primer amor
la vieja calle donde el eco dijo
"tuya es su vida, tuyo es su querer"
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferenciahoy me ven volver

Volver...con la frente marchita
las nieves del tiempo
platearon mi sien
sentir...que es un soplo la vida
que veinte años no es nadaque febril la mirada
errante en la sombrate busca y te nombra
vivir...con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez

Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida...

Tengo miedo de las noches
que pobladas de recuerdos
encadenan mi soñar...

Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar...
Y aunque el olvido, que todo destruye
haya matado mi vieja ilusión
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón.

Volver...

domingo, 14 de junho de 2009

Rio, seu mar e praias sem fim...



Viajar é muito bom, ninguém nega!



Com boas e queridas companhias, melhor ainda.



Mas, se o lugar escolhido não for mágico, não tem mandinga que faça a viagem se tornar inesquecível!



Mágico, é assim que eu defino o Rio de Janeiro. Da primeira vez que fui lá eu era um bebê de um ano de idade, então não conta. Agora, na travessia dos 25 aos 26, voltei lá, por conta e pernas próprias e só assim pude sentir o quão aconchegante é essa cidade, como é receptivo o carioca, como dá vontade de não voltar, de "comer" o Pão de Açúcar, de abraçar o Cristo, de urrar no Morro da Urca... Passei um aniversário agradabilíssimo, almoçando no popular e agradável Amaralinho, da Cinelândia, e jantando na refinada La Fiorentina, no Leme. Devo esse dia tão agradável a Markito e Débora, que fizeram memoráveis tanto esse dia em específico como a viagem em si. Mas, repito, a cidade tem também uma grande parcela de "culpa" nisso! Diria que a maior culpa é dela.



Bem, e, como bom turista, visitei lugares famosos, como o Corcovado, as praias de Copacabana (onde fiquei hospedado), Ipanema, Leblon, Leme, o centro da cidade e seus monumentos e edifícios públicos, a cidade histórica de Petrópolis, onde reencontramos nossa amiga Rafaela. Sem falar que fizemos aquilo que executamos com mais propiedade: turismo gastronômico. Ai, ai, meu peso voltou a se tornar irritante!!


E pra musicalizar esse post, confesso que sempre ouvi o "Samba do Avião", uma ode que Tom Jobim escreveu ao Rio, sem entender muito o por que de tanto amor a essa terra. Agora, mesmo com o olhar de um mero turista, que só ficou uma semana nessas paragens, eu compreendo um pouquinho desse Samba.



Beijos e abraços a todos! Aliás, como diz o Gil, falando do Rio, "Aquele abraço"!



quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ana Carolina - Trechos

Confesso, acordei achando tudo indiferente
Verdade, acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante


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Se na vida eu apanho
Outras vezes eu bato
Mas trago a minha blusa aberta e uma rosa em botão

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Olho a cidade ao redor
E nada me interessa
Eu finjo ter calma
A solidão me apressa
(...)
Olho a cidade ao redor
Eu nunca volto atrás
Já não escondo a pressa
Já me escondi demais

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Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
(...)
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir

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Eu quero sair de manhã
Eu quero seguir a estrela
Eu quero sentir o vento pela pele
Um pensamento me fará
Uma louca tempestade...
Eu quero ser uma tarde gris
Quero que a chuva corra sobre o rio
O rio que por ruas corre em mim
As águas que me querem levar tão longe


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E saiba que forte eu sei chegar
Mesmo se eu perder o rumo
E saiba que forte eu sei chegar
Se for preciso eu sumo

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Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

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Crescer, sumir, partir, chegar
Revirar e se descobrir
Se elaborar, se transformar...

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Quando eu vou parar pra ser feliz?
Que hora?
Se não dá tempo
Se eu não me encontro
Nos lugares onde eu ando
Nem me conheço
Viro o avesso de mim
(...)
Uma rua atravessada em meu caminho
Nos meus olhos
Mil faróis
Preciso aprender a andar sozinho
Pra ouvir minha própria voz
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim?
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim?

domingo, 31 de maio de 2009

Simplesmente Feliz!!



















- Mas você não pode ser feliz, vivendo assim, sem planos..
- E quem disse que não sou feliz? Eu sou!!

Esse diálogo, parte de uma cena do Filme Simplemente Feliz (Happy-go-lucky, Inglaterra, 2008), que assisti essa semana e que me rendeu uma vontade danada de postar algo que contrariasse as "regras" deste blog.

O filme conta a história de Poppy (Sally Hawkins), uma linda e alegre professora primária, que sempre se veste com roupas coloridas e tenta ver a vida pelo lado positivo. Isto faz com que ela seja em vários momentos, na visão dos outros, irresponsável, por levar na brincadeira situações ditas sérias. Algumas das pessoas que a vêem deste modo é Scott (Eddie Marsan), seu professor da auto-escola, que não suporta os desvios de atenção que ela tem na direção, e sua irmã Helen (Carolina Martin), com quem travou o diálogo acima transcrito.

Saí da sala de cinema com a certeza de que: 1. devemos sempre tentar ver o lado positivo das coisas, mesmo que elas nos machuquem, irritem ou estressem; 2. a nossa alegria sempre vai incomodar alguém! Esse segundo aspecto é o que mais me chamou a atenção, pois a alegria e o bom humor de Poppy irritava alguns; seu estilo de vida não era aceito por todos (solteira aos 30 anos, morando com uma amiga, sem grandes planos pro futuro, vivendo cada dia de uma vez). 

Confesso: quero ser a Poppy quando crescer. Vou acabar irritando alguém, seu sei, mas cada um tem seu projeto de felicidade e o meu está bem distante do tacanho padrão ocidental-judaico-cristão-burgo-liberal. Como bem diz Almir Sater (é, eu não consigo deixar de citar uma canção) "cada um de nós compõe a sua história e cada um, em si, carrega o dom de ser capaz de ser feliz!

Ah, escrevendo esse texto, me lembrei de uma música, que gosto muito, cantada pela Elba Ramalho. O título diz tudo: Felicidade Urgente.

Nunca mais eu vou voltar 
Essa estrada é meu destino 
Vou seguir a minha vida 
Vou achar o meu lugar 
Louco pra viver em paz 
Eu procuro paraísos 
Em lugares esquecidos, em viagens ao luar 
Eu vi a cor, sonhos 
E sei de cor o que é 
Melhor pra mim 
A vida me fez desse jeito 
O mundo que é tão imperfeito 
Pouca gente tem direito a ser feliz 
O tempo passa de repente 
Felicidade urgente para todos 
Para todos nós (...)


quarta-feira, 27 de maio de 2009

R.E.M / The Coors - Everybody Hurts

Esse post complementa o anterior... Essa música, um verdadeiro acalanto num momento de turbulência, me foi apresentada (mais uma) pela minha amiga Adi, em mais uma de nossas conversas musicais.  Na ocasião, ela me apresentou duas verões, uma do R.E.M. e outra do The Coors. Nada contra a primeira banda, mas a versão do The Corrs "matou a pau"! 


Everybody Hurts

When your day is long
And the night - the night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on

Don't let yourself go
'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life, to hang on

Well, everybody hurts
sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on

Everybody hurts

You're not alone

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quando a chuva passar...

Às vezes basta um ínfimo catalizador para que questionamentos nos surjam. E, recentemente, levei um banho desse catalizador, que me fez retornar à mente algumas dúvidas, algumas inseguranças, angústias. Estou num momento bem "nada sei dessa vida"... Ou sei??? Acho que sei o que eu não quero, mas ainda são tantas as coisas que quero que fica difícil decidir por onde começar!! Insatisfeito? Sim... Esmorecido, jamais! Ai, tá tudo meio paradoxal, mas isso reflete a falta de um rumo, de um norte que de vez em quando nos assolam a mente. 

Bem, pra não sair muito do foco deste blog, trechos de algumas canções que no momento me passam pela lembrança:


Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber
(...)
Vou errando enquanto o tempo me deixar passar


O que é que eu sou?
Eu vim por que?
Pra onde eu vou?
Onde é que eu tava?
Onde é aqui?
Quem me mandou?
Qual é o nome da minha alma?


(...) E essa tempestade um dia vai acabar


(...)I'm feeling like I'm long way from home
I don't know where I'm going
I don't know where I'm doing


(...) Eu que não sei quase nada do mar
Descobri que não sei nada de mim

(...) Dentro te ascolta il tuo cuore
E nel silenzio troverai le parole
Chiudi gli occhi e poi tu lasciati andare
Prova a arrivare dentri il pianeta del cuore


Bem... por hoje é só. Beijos e abraços.



quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para duas pessoas especiais


Hoje vou me afastar um pouco do objetivo central deste blog e postar uma ode a duas pessoas que me proporcionaram uma semana muitíssimo agradável e gostosa.

Primeiramente, Markito. Putz, que falar desse cara? Uma pessoa que me ensinou o prazer de ter amigos; que com seu carisma peculiar me conquistou e logo se tornou meu melhor amigo e uma das pessoas mais importantes para mim; um amigo com o qual eu tenho a honra de poder contar pra tudo e o prazer de dividir toda minha vida; um cara do qual eu sinto muita, muita falta e que me fez aprender a conviver diariamente com a saudade: saudade de poder vê-lo sempre que eu quisesse, das nossas saídas de fins de semana, de poder ouvir sua voz, sua risada quase todos os dias, saudade de apertar sua mão de abraçá-lo, enfim... Mas o melhor disso é saber que nem mesmo a distância foi capaz de diminuir o afeto mútuo nem esfriar nossa amizade. Meu brother, é muito bom ser teu amigo! Brigadão por tudo, pela acolhida, pela horas de diversão, pelas conversas fiadas antes de dormir e, mais uma vez, parabéns pelo sucesso em sua vida intelectual. Amo você, de coração! E vamos tocar pra frente nosso plano imobiliário... hehehehe

A segunda pessoa é Adi (frequentadora assídua desse blog). Nos conhecemos por intermédio do Markito, através desta maravilha moderna que é a internet e devido  um interesse em comum: nossa nave-mãe Paula Toller. Mas, com o passar do tempo as nossas conversas, que giravam basicamente em torno de música ou cinema, foram se diversificando até dividirmos nosso cotidiano, nossas alegrias e angústias. Assim, aos pouquinhos, Adi foi se tornando uma amiga muitíssimo querida, adorada mesmo, da qual espero jamais me separar. E eis que finalemente eu a conheci pessoalmente!! Foi um prazer inenarrável poder conviver, mesmo que por poucos dias, com essa pessoinha linda, alegre, prestativa, atenciosa e que tem uma conversa agradabilíssima. Ah, e que dividiu comigo uma boa Weissbier!!! Adi, valeu por tudo! Adorei poder te abraçar e ouvir tua voz!

Pra vocês dois eu deixo um grande beijo e minha modesta mas sincera homenagem. Estou com muita saudade de vocês. Nos vemos em breve, se os céus quiserem.

Ah, só pra não perder o hábito, aí vai um trecho de uma música, que dedico a vocês dois:

"Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu te digo,
Mas é muito bom saber
que você é meu amigo".